O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) encerrou 2025 com avanços decisivos na rede pública, registrando recordes históricos de cirurgias e investindo em tecnologia de ponta. No Hospital de Base (HBDF), foram realizadas 1.332 cirurgias em setembro, média de 44 por dia. O ano também viu a instalação de equipamentos únicos como vídeo EEG e angiógrafo, a expansão das teleconsultas e a inauguração do primeiro espaço sensorial para autismo do Centro-Oeste, fortalecendo a assistência e a humanização no Sistema Único de Saúde do DF.
Quais foram os recordes e os ganhos de eficiência na área cirúrgica?
2025 foi um ano de superação de marcas históricas nos principais hospitais geridos pelo IgesDF. O Hospital de Base do DF (HBDF) bateu três recordes cirúrgicos consecutivos ao longo do ano, culminando em 1.332 procedimentos cirúrgicos no mês de setembro, uma média impressionante de 44 cirurgias por dia útil. No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), o centro cirúrgico atingiu seu maior volume em dois anos, com 502 cirurgias realizadas apenas em outubro.
Esse salto de produtividade não veio de novas obras, mas da otimização de processos. A implementação do método Lean na gestão, que reorganizou fluxos e eliminou desperdícios de tempo, permitiu um uso mais intensivo e eficiente das 20 salas cirúrgicas existentes no HBDF. O projeto redefiniu a logística de limpeza, preparo de pacientes e rotatividade de equipes, maximizando a capacidade instalada sem aumentar a estrutura física.
Como o projeto Lean funcionou na prática?
O Lean Healthcare focou em mapear e eliminar etapas burocráticas ou redundantes que causavam atrasos entre uma cirurgia e outra. Isso incluiu a padronização de kits cirúrgicos, a reorganização dos fluxos de esterilização de instrumentos e a melhoria na comunicação entre as equipes de enfermagem, anestesia e cirurgia. O resultado foi a redução do “tempo morto” nas salas, permitindo que mais procedimentos fossem agendados e realizados no mesmo dia.
Quais equipamentos de alta tecnologia foram instalados na rede?
O IgesDF investiu fortemente em tecnologia médica de última geração, alguns deles únicos na rede pública do DF. No Hospital de Base, foram instalados em dezembro dois aparelhos de vídeo eletroencefalograma (vídeo EEG), exame de altíssima precisão para diagnóstico de epilepsia e monitoramento de crises neurológicas. O HBDF também recebeu um novo angiógrafo, que aumentou em 40% a capacidade de realizar procedimentos minimamente invasivos, como cateterismos e angioplastias.
Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a rede foi equipada com gasômetros de última geração. Esses aparelhos analisam em poucos minutos os gases no sangue arterial do paciente, fornecendo um diagnóstico rápido do estado respiratório e metabólico de casos graves, como insuficiência respiratória ou sepse, agilizando a decisão médica.
Como a telemedicina e a retaguarda psiquiátrica transformaram as UPAs?
A teleconsulta foi consolidada como uma ferramenta estratégica nas UPAs em 2025, com a realização de mais de 10 mil atendimentos remotos. O modelo permite que um médico especialista, de forma virtual, avalie um paciente que está na UPA, agilizando diagnósticos, definindo condutas e reduzindo a necessidade de transferências para hospitais de referência. Isso diminuiu o tempo de espera e aumentou a resolutividade das unidades.
Outro avanço significativo foi o projeto de retaguarda psiquiátrica. Antes, pacientes em crise de saúde mental podiam permanecer até quatro dias aguardando avaliação especializada em uma UPA. Com a retaguarda, esse tempo foi reduzido para pouco mais de um dia, assegurando um atendimento mais ágil e adequado e liberando leitos para outras emergências.
De que forma a humanização foi fortalecida nos hospitais e UPAs?
A humanização foi um eixo central das ações. No Hospital Regional de Santa Maria, foi inaugurado o “Espaço Humanizar TEA”, o primeiro ambiente sensorial do Centro-Oeste dedicado a crianças com Transtorno do Espectro Autista. O espaço, com iluminação, sons e texturas controladas, serve para acalmar e preparar a criança antes de procedimentos médicos, reduzindo o trauma.
Nas UPAs, o Programa Humanizar ampliou práticas de acolhimento com classificação de risco, escuta ativa e suporte em cuidados paliativos. No Hospital de Base, a implantação do sistema de “Consulta com Hora Marcada” em diversas especialidades organizou os fluxos, eliminou aglomerações nas filas e deu previsibilidade ao paciente, que sabe o dia e horário exatos de seu atendimento.
Quais são as perspectivas de expansão da rede de UPAs para 2026?
O ano de 2025 foi também de planejamento para uma grande expansão física. O Governo do DF iniciou a construção de sete novas UPAs de porte 3 (as de maior complexidade). Com essas novas unidades, a rede pública de UPAs no DF passará de 13 para 20 unidades, representando um aumento de mais de 50% na cobertura.
Essa ampliação é vital para desafogar as emergências hospitalares e ofertar atendimento de urgência mais próximo da população em regiões que hoje possuem menor acesso. A previsão é que essas obras, somadas aos ganhos de eficiência e tecnologia, consolidem em 2026 uma rede de saúde mais robusta, ágil e humanizada para todos os brasilienses, conforme destacou o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro: “Tudo isso só é possível porque temos equipes comprometidas e um governo que acredita em um SUS forte, eficiente e acessível”.
