Jovem de 15 anos que fugiu de abrigo em Ceilândia foi encontrada em Planaltina de Goiás em boas condições de saúde; caso pode ser arquivado pela Justiça.
A Polícia Civil do DF localizou, nesta quarta-feira (14/1), uma adolescente de 15 anos que estava desaparecida desde janeiro de 2025, após fugir de um abrigo em Ceilândia. A jovem foi encontrada morando com um homem de 31 anos em Planaltina de Goiás, em boas condições físicas e sem sinais de maus-tratos. O inquérito será encaminhado à Justiça com sugestão de arquivamento.
Um caso de desaparecimento que mobilizou a Polícia Civil do Distrito Federal por um ano inteiro chegou ao fim nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. A 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro) localizou uma adolescente de 15 anos que estava desaparecida desde 26 de janeiro de 2025, quando fugiu do Lar São José, uma instituição de acolhimento em Ceilândia. A jovem foi encontrada residindo em Planaltina de Goiás, cidade do Entorno do DF, onde vivia em companhia de um homem de 31 anos, filho de um idoso que deu início à nova linha de investigação.
Segundo o relato policial, a adolescente foi encontrada em boas condições físicas e de saúde, sem apresentar indícios visíveis de maus-tratos ou violência. A localização foi imediatamente comunicada à família, e a jovem foi apresentada à Promotoria da Vara da Infância e da Juventude do DF para que as medidas legais de proteção fossem tomadas. Diante das circunstâncias, os delegados responsáveis concluíram o inquérito e devem encaminhá-lo ao Poder Judiciário com uma sugestão de arquivamento do caso.
Como a polícia conseguiu localizar a adolescente após um ano?
A investigação, que parecia ter esgotado suas possibilidades, ganhou um novo rumo nesta quarta-feira. A equipe da 15ª DP recebeu uma ligação do próprio Lar São José informando que um idoso havia comparecido ao abrigo para retirar documentos pessoais da adolescente desaparecida. Esta informação inesperada reacendeu o caso imediatamente.
Os policiais se dirigiram primeiro ao abrigo e, em seguida, à residência do idoso, localizada em Taguatinga. Lá, o senhor relatou que a garota estava, na verdade, vivendo maritalmente com seu filho, de 31 anos, em Planaltina de Goiás. Após contato telefônico com o filho, que confirmou a situação, a equipe policial se deslocou até o endereço fornecido em Goiás, onde identificou e confirmou que a jovem residente era a adolescente desaparecida há exatamente um ano.
Quais diligências foram feitas durante o ano de desaparecimento?
Ao longo de 2025, a polícia civil realizou uma série extensa de diligências. Foram ouvidos familiares, amigos e outros adolescentes acolhidos. As buscas se estenderam a residências, lanchonetes, comércios e pontos de encontro indicados por testemunhas. Em diversos locais, os agentes deixaram fotografias da garota e contatos da delegacia, na esperança de obter novas pistas. Além disso, foi coletado material genético do irmão da adolescente para um eventual confronto de DNA, caso um corpo ou vestígio biológico fosse encontrado, evidenciando a seriedade com que o desaparecimento foi tratado.
Qual a trajetória da adolescente antes do desaparecimento?
A história da adolescente é marcada por rupturas familiares e institucionais. Tudo começou em 2024, quando um conflito familiar em Minas Gerais resultou na destituição do poder familiar da mãe sobre os cinco filhos. Por decisão judicial, a adolescente foi encaminhada para acolhimento institucional em seu estado de origem.
Por já ter mais de 12 anos, ela não entraria mais na fila nacional de adoção, tendo a perspectiva de permanecer em abrigos até a maioridade. Posteriormente, a instituição mineira identificou um irmão biológico da jovem morando em Brasília e promoveu um contato visando a reaproximação familiar. Com a anuência do irmão, ela foi transferida para o Distrito Federal.
No entanto, a convivência entre os irmãos fracassou. Por não terem sido criados juntos, surgiram dificuldades de adaptação e relacionamento. Diante do impasse, a Justiça determinou o encaminhamento da adolescente para o Lar São José, em Ceilândia. Foi desta instituição que ela fugiu em janeiro de 2025, após demonstrar insatisfação com a vida no abrigo e expressar a intenção de escapar para outras pessoas.
Por que o caso pode ser arquivado pela Justiça?
A sugestão de arquivamento do inquérito pela polícia está diretamente ligada às circunstâncias da localização. A adolescente foi encontrada viva, consciente e sem lesões aparentes. Não há, até o momento, evidências de que ela tenha sido sequestrada, coagida ou mantida contra a vontade. Pelo contrário, a investigação anterior já apontava sua insatisfação e vontade de fugir do acolhimento institucional.
O fato de estar vivendo com um homem 16 anos mais velho levanta, contudo, graves questões legais. Do ponto de vista criminal, a situação pode configurar outros tipos de investigação, como a de estupro de vulnerável (já que a adolescente tem 15 anos), que independem da vontade da vítima e são considerados crimes contra a dignidade sexual. A decisão final sobre o arquivamento ou a abertura de novos procedimentos cabe exclusivamente ao Ministério Público e ao Juiz da Vara da Infância, que avaliarão todo o contexto e o melhor interesse da adolescente.
