Junho começa com chuva de granizo e quebra jejum histórico

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Fenômeno considerado raro para esta época do ano marca o início do mês e antecede uma forte massa de ar frio que reduzirá temperaturas.

O início do mês de junho foi marcado por um evento meteorológico atípico com o registro de chuva no Distrito Federal acompanhada de queda de granizo em diversas regiões administrativas. O fenômeno, ocorrido nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, surpreendeu os moradores da capital federal e quebrou um jejum histórico de precipitações para esta época do ano. De acordo com os registros meteorológicos oficiais, as precipitações nesse dia específico do calendário são extremamente raras, tendo ocorrido apenas duas vezes nos últimos cinquenta anos, abrindo espaço agora para uma semana de declínio acentuado nas temperaturas em todo o quadrilátero do quadradinho.

O período que abrange os meses de maio a setembro no Planalto Central é caracterizado historicamente pelo início e consolidação da estação seca. Durante este intervalo de tempo, a ausência de precipitações é a regra climática na região, com os índices pluviométricos despencando para patamares próximos de zero. A ocorrência de um volume mensurável de água caindo do céu logo no primeiro dia do mês de junho foge completamente aos padrões climatológicos estabelecidos para a região central do Brasil.

Estatísticas levantadas por plataformas especializadas com base nos bancos de dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia demonstram a magnitude dessa raridade. Antes do evento registrado nesta semana, Brasília só havia computado chuva no Distrito Federal no dia primeiro de junho em duas ocasiões específicas: nos anos de 1977 e de 2009. Isso significa que o fenômeno testemunhado pelos brasilienses quebrou um intervalo de dezessete anos sem que uma única gota d’água caísse na capital logo na abertura deste mês.

A explicação técnica para a instabilidade atmosférica que gerou a chuva e a queda de pedras de gelo envolve a dinâmica dos sistemas de alta pressão que costumam dominar o teto do país nesta época. Segundo os especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia, o cenário foi desencadeado pelo enfraquecimento temporário de um sistema anticiclone que atuava sobre a região central do território nacional. Esse enfraquecimento abriu uma brecha na atmosfera, permitindo que o ar mais úmido e instável se aproximasse e gerasse as nuvens de tempestade.

A formação de granizo é considerada um agravante ainda mais incomum para o inverno que se aproxima. Para que o gelo se forme, é necessário que haja nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cumulonimbus, onde as gotículas de água são empurradas para camadas muito altas e frias da atmosfera pelas correntes de ar internas. Embora maio e junho apresentem baixos acumulados, as chuvas rápidas até podem acontecer de forma pouco significativa, mas a presença de granizo foge totalmente do comportamento climático esperado para este período do ano.

Apesar do susto provocado pelo temporal isolado e pelo granizo na segunda-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia esclarece que o evento foi isolado e não indica o retorno definitivo do período chuvoso. A tendência para os próximos dias é de estabilização do tempo no que diz respeito à umidade, sem qualquer indicativo de novas precipitações volumosas sobre as cidades satélites. A atenção dos meteorologistas e da população agora se volta para o comportamento dos termômetros.

A partir desta terça-feira, o céu deve apresentar poucas nuvens, com temperaturas oscilando entre a mínima de 15°C nas primeiras horas do dia e a máxima atingindo os 29°C durante a tarde. Na quarta-feira, a cobertura de nuvens aumenta temporariamente, mantendo o céu encoberto e puxando as temperaturas para baixo, com os termômetros registrando marcas entre 13°C e 26°C, consolidando o avanço de uma frente mais fria sobre a região.

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