Reforma do Cine Itapuã no Gama recebe investimento de R$ 6,5 milhões

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Governador Ibaneis Rocha assina ordem de serviço para revitalizar o histórico espaço cultural do Gama, fechado há quase duas décadas para a população.

O Governo do Distrito Federal oficializou, nesta quinta-feira (26), o início das obras de reforma e revitalização do Cine Itapuã, localizado no Gama. O governador Ibaneis Rocha assinou a ordem de serviço que destina R$ 6,5 milhões para a recuperação total do equipamento público, que permanece de portas fechadas desde o ano de 2005. O projeto, executado sob a coordenação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), visa devolver à comunidade um dos seus mais emblemáticos palcos de fomento à arte e ao lazer, atendendo a uma demanda histórica dos moradores da região administrativa que conviveram com o abandono da estrutura por 21 anos.

Qual a importância histórica do Cine Itapuã para o Gama?

Inaugurado em 28 de março de 1961, o Cine Itapuã nasceu praticamente junto com a fundação de Brasília, consolidando-se como o coração pulsante da vida cultural do Gama. Durante décadas, o espaço não foi apenas uma sala de projeção de filmes, mas um centro multiuso que abrigou festivais de música, peças de teatro e apresentações de bandas icônicas do cenário nacional, como a Legião Urbana. A trajetória do local confunde-se com a própria identidade da cidade satélite, representando um ponto de encontro geracional onde famílias, jovens e artistas locais compartilhavam experiências estéticas e sociais.

O valor afetivo depositado no edifício é um dos pilares que sustentaram a pressão popular pela sua reforma. Para muitos pioneiros e moradores do Gama, o cinema simboliza uma era de efervescência cultural que foi interrompida abruptamente no início dos anos 2000. O fechamento prolongado resultou na deterioração física do prédio, mas não apagou a memória coletiva de eventos como o Festival de Música Popular do Gama, que revelou talentos e movimentou a economia criativa local por anos.

A recuperação do espaço é vista como o resgate de um patrimônio imaterial. Ao investir na estrutura física, o governo estadual sinaliza o reconhecimento da importância histórica de manter vivos os aparelhos culturais descentralizados, garantindo que o acesso à arte não fique restrito apenas ao Plano Piloto. O Cine Itapuã, em sua nova fase, promete retomar esse protagonismo, servindo de palco para as novas gerações de artistas que surgiram no Gama nas últimas duas décadas e que careciam de um local adequado para suas expressões.

O que contempla o projeto de reforma de R$ 6,5 milhões?

O investimento anunciado de R$ 6,5 milhões será aplicado em uma reforma estrutural completa, abrangendo desde a recuperação do telhado e das fachadas até a modernização das instalações elétricas, hidráulicas e de acessibilidade. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa destacou que a obra não se limitará à estética externa, mas focará na funcionalidade do edifício como um cinema e centro cultural moderno. Isso inclui o tratamento acústico das salas, a renovação do mobiliário e a instalação de sistemas de climatização adequados ao clima da região.

Um diferencial estratégico desta intervenção, conforme ressaltado pela gestão atual, é a reserva antecipada de recursos para a aquisição de equipamentos tecnológicos. O objetivo é evitar um problema comum em obras públicas: a entrega do prédio físico sem a infraestrutura necessária para o funcionamento imediato. Assim, o Cine Itapuã deverá ser reaberto já equipado com projetores de alta definição, sistemas de som de última geração e iluminação cênica profissional, permitindo que a transição da obra para a operação cultural seja imediata.

A empresa contratada pela Secec-DF terá o desafio de preservar as características arquitetônicas que tornam o cinema um marco visual no Gama, ao mesmo tempo em que introduz tecnologias que garantam a sustentabilidade e a segurança dos usuários. A reforma também prevê a revitalização do entorno imediato, integrando o cinema à praça onde está localizado, o que deve beneficiar o comércio local e aumentar a sensação de segurança para os transeuntes e futuros frequentadores do espaço.

Por que o Cine Itapuã ficou fechado por tanto tempo?

O fechamento do Cine Itapuã em 2005 foi motivado, inicialmente, por problemas estruturais e pela falta de manutenção preventiva, que tornaram o uso do espaço inseguro para o público. Ao longo das administrações seguintes, a falta de dotação orçamentária específica e as burocracias relacionadas ao tombamento e à preservação de patrimônios históricos dificultaram a viabilização de um projeto de reforma integral. O vácuo de 21 anos sem atividades oficiais transformou o prédio em um símbolo de descaso, causando tristeza aos moradores que observavam a degradação diária das máquinas e das poltronas.

A ausência de um centro cultural de grande porte no Gama obrigou a produção artística local a buscar alternativas em espaços improvisados ou em outras regiões administrativas. Esse hiato de duas décadas impactou diretamente a formação de plateia e a circulação de recursos dentro da cadeia produtiva da cultura na cidade. A reabertura agora é tratada como a correção de uma dívida histórica do Estado com a população sul do Distrito Federal.

O secretário de Cultura e Economia Criativa, Claudio Abrantes, enfatizou que o Cine Itapuã era o último grande equipamento público de cultura do Distrito Federal que ainda permanecia fechado por questões estruturais. Com a assinatura desta ordem de serviço, o governo busca encerrar um ciclo de abandono e iniciar uma fase de entrega de espaços públicos revitalizados. O desafio agora reside no cronograma de execução, que será monitorado de perto pela comunidade local, ávida por ver as luzes do cinema acesas novamente.

Quais os benefícios para a comunidade do Gama e do Entorno?

A reativação do Cine Itapuã deve gerar impactos positivos em diversas frentes. No campo social, a oferta de lazer gratuito ou a preços populares contribui para a democratização do acesso à cultura, especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade que passam a ter uma alternativa saudável de convivência e aprendizado. No campo econômico, a movimentação de público no centro do Gama deve revitalizar o comércio de rua, bares e restaurantes da região, criando um ciclo de prosperidade no entorno da praça onde o cinema está inserido.

Além disso, o espaço funcionará como um polo de formação. A expectativa é que o novo centro cultural ofereça oficinas de audiovisual, teatro e música, aproveitando a estrutura moderna para capacitar profissionais da própria cidade. Para os moradores de cidades vizinhas e do Entorno, como Santa Maria e Novo Gama, o Itapuã surgirá como uma opção cultural mais próxima, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos até o centro de Brasília para assistir a um filme ou a um espetáculo teatral.

A memória afetiva também será fortalecida. Para cidadãos como o comerciante José Dionízio de Lima, que conviveu com o cinema em seus anos de glória, a reforma representa o retorno de uma dignidade perdida. O sentimento de pertencimento é renovado quando o poder público investe na conservação de lugares que fazem parte da história de vida das pessoas. O Cine Itapuã deixa de ser um “elefante branco” para se tornar novamente uma ferramenta de transformação social e orgulho para a comunidade do Gama.

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